Ela não se entende com a máquina fotográfica. Quer
dar zoom, mas não sabe dar zoom. A máquina é velha, nem sabe se a máquina tem
zoom. Depois de tanto mexer sem nada conseguir, resolve pedir ajuda. Olha pro
meu lado. Vem falar comigo. Tenho vergonha de dizer que sou tão ignorante
quanto ela naquele assunto. Quanta besteira. Vejo a máquina com medo. Seguro-a,
mas sinto que tenho nas mãos um bicho estranho, que pode a qualquer momento me
picar, me morder, sei lá. Fico examinando (apenas com os olhos), sem me mexer,
com receio de apertar um botão desconhecido e pifar aquela geringonça. Lembro
que do meu lado está uma jovenzinha dos seus quinze anos. Sem titubear olho pra
ela, ela percebe e olha pra mim. Pronto, meus problemas acabaram (como se eles
realmente fossem meus). Digo meio sem jeito: “é aqui mesmo que a gente dá o
zoom, né?” Ela percebe minha total falta de traquejo. Arranca a máquina delicadamente
das minhas mãos. Mexe com a destreza dos jovens. Segundos. Acerta o zoom.
Devolve a máquina. A senhora, toda sorridente, agradece. Nem olha pro meu lado.
Don’t Cry For Me Argentina se foi.
obrigado pela visita blog atualizado quinzenalmente aos sábados fale comigo em sergiogeia@uol.com.br
sábado, 19 de janeiro de 2013
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